Sabe aqueles dias em que uma nuvem negra parece te acompanhar? Hoje é o dia! Deu tudo errado, porcaria! O dia começou com a faxineira e a empregada dando bolo. Desculpei por causa dos estragos do temporal. Ocorre que eu estava esperando pessoas para instalarem dois ar-condicionados. E eles vieram! Casa na maior bagunça, tudo fora do lugar para eles trabalharem, coisa e tal. Fizeram sujeira pra caramba, mas estavam cuidando o máximo para não enporcalhar a casa.
No entanto, como é de conhecimento de muitos, tenho três (eu disse três!) filhos pequenos. É, daí a coisa começou a complicar...Os rapazes da assistência técnica chegaram cedo, mas meu filho dormia. Um dos aparelhos seria instalado em seu quarto, então meu marido levou-os até lá, esquecendo que o guri tava na cama. Escancarou a janela e inundou o quarto de luz! O guri deu um pulo e começou a chorar. Na hora!
Foi para o meu quarto, onde já estava a filha menor, grudada no meu pescoço, porque tem medo de barulho. E eu tentando fazer ginástica. Minha digníssima profe estava lá em casa, porque obviamente com um dia desses eu não podia sair de casa. Meu filho chorando, minha filha idem...
Chegou, então, o momento de sair. Tinha que dar almoço pros pintinhos e não tinha nada em casa. Minha sogra iria chegar um tempinho depois para que os rapazes retomassem o trabalho. Então, estou eu, lépida e fagueira almoçando com dois dos três filhos quando...trim, trim, trim! Era o telefone. Ele não toca bem assim, até porque trim é toque de telefone do passado, mas o que vale é você poder imaginar a cena. Pois bem, o telefone toca e é meu marido, avisando que a sogra estava no saguão do meu prédio...sem a chave de casa! E eu com duas crianças comendo!
Arranjei alguém que levasse essa chave e o dia continuou. Antes de levar as crianças para escola deu tempo de passar na casa de minha mãe para preparar a mamadeira de Gabi, a filha pequena. E ela, sem cerimônia, fez xixi no chão. Na hora de sair! E eu, correndo novamente, toquei a guria para um banho a jato. Molha daqui, esfrega dali, seca, veste em tempo recorde. Podia ter aparecido no Guiness como a "mãe mais rápida do mundo"...Perdi de cronometrar essa...
Corro novamente, só que dessa vez rumo à escola. Largo as crianças e já me incomodo com alguns problemas, nada de novo no front, mas problemas. Os velhos problemas de sempre...O tempo começa a ficar curto. Tenho que passar em uma série de lugares antes de ir para casa, para "render" minha sogra. E...começa a chover. Como sempre acontece quando você carrega uma nuvem negra em cima de sua cabeça.
Sou obrigada a ir até o banco pagar uma conta. Vou, pensando sempre no atraso de meu trabalho, nas coisas que deixei de fazer. Vou na chuva, se é que entenderam, porque guarda-chuva já me roubaram uns cinco. No banco, fila de praxe, espera de 20 minutos e...cadê o cartão? Onde foi que eu enfiei esse cartão? Ai, caraca! Peguei o cartão errado...Volto tudo, na chuva, pego o cartão certo e retorno ao banco. Na fila novamente e trim trim trim! Ah não, agora do jeito que anda meu dia só podem estar querendo dizer que houve algum incêndio, ou que acharam meu carro depenado por ladrões juvenis sem escrúpulos! Enquanto penso se atendo ou não, a coisa fica dramática. Suo frio. Atendo, não há outro jeito. Era meu marido de novo, com outra má notícia. Boa é que não podia ser né?
Duas vizinhas haviam invadido meu apartamento para complicar a instalação dos aparelhos de ar-condicionado. Ficaram gritando com o pobre instalador, gritando nos ouvidos do homem por nada. Tudo que diziam era fora da casinha. E minha sogra lá, sozinha com as Cajazeiras, olhos arregalados. Teve sangue frio, minha sogra! Se eu estivesse em casa, teria pulado no pescoço das duas! Ora, vão pentear macacos! Entrar na casa dos outros para fiscalizar uma obra interna, aprovada em reunião de condomínio, é de lascar! E eu na fila do banco, precisando ficar, pagar aquela conta bendita. Só podia chorar, ou...dar de ombros. E foi o que fiz.
Cheguei em casa encharcada, pingando, com um sapo dentro do tênis. E as mulheres tinham se ido. Menos mal, pensei, menos uma incomodação. Só que...tchan tchan tchan tchan! A coisa sempre pode ficar pior! Minha sogra não se sentia bem. Quase desmaiou um par de vezes. Não podia correr para o Pronto Socorro por que ela é pesada para eu carregar sozinha...Não podia sair e deixar os homens sozinhos, não podia...Dei sal para a minha coroa e ela melhorou. Agora espero o próximo problema. O dia não acabou. Acho que vou me trancar no banheiro até amanhã de manhã, cercada de muito papel higiênico. Nunca se sabe...


