terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Quem conta um conto aumenta um ponto!

Essa eu juro que é verdade. Em parte.

Aqui no Rio Grande do Sul é forte a presença italiana, principalmente no interior. E sabe como é: mesa italiana é farta! Pois duas irmãs, Cleide e Neide, por assim chamá-las (esses são nomes fictícios. Sei, foi falta de criatividade, mas como os nomes reais eram parecidos, não tive por onde escapar...), esperaram um feriado para visitar a parentada em Santa Rosa. Neide, magra e bela, Cleide nem tanto, viviam às turras. Motivo? Neide causava inveja sem querer. Era moça bela, radiante, de bem com a vida. A outra, Cleide, vivia amarga, queixando-se da sua gordura e de sua falta de sorte com os homens. Quando brigavam, Neide espumava de raiva! Ficava vermelha, tinha dores de cabeça horríveis, a coitada. A outra, nem te ligo. Fazia para irritar. Neide, de coração bom, logo esquecia o motivo das desavenças e perdoava. Eram irmãs, puxa!

Pois foram Neide e Cleide para o interior. Pegaram o ônibus à noite e chegaram com os primeiros raios de sol. Era longe a terra natal! Desceram na pequena rodoviária da cidade. E vocês pensam que a cidade dormia? Dormia nada! Todo mundo de pé, ao cantar do galo! As ruas exibiam o movimento inteeeenso das cidades do interior. Um transeunte aqui (ui!), o padre indo logo ali, crianças com sono caminhando até a escola...Nossas protagonistas tiveram reações opostas: Neide, a bonita, achou aquilo tudo muito calmo para seu temperamento. Era urbana, gostava dos agitos da cidade grande. Muito verde, passarinhos cantando, a deixavam com alergia. Cleide, por sua vez, e pelo prazer de discordar, comentou que estava se sentindo realizada, voltando para casa depois de tantos anos. Foi cantarolando até a porteira do pequeno sítio onde morava a família.

Nem precisaram bater. Seu Zé, o dono da padaria, tinha corrido na frente para avisar da chegada das moçoilas. Sabe como é...Em cidade do interior todo mundo se conhece. Foram recebidas com festa, muitos abraços e beijos. Todos os 25 primos e 37 tios enfileirados, apertando-as como apenas um urso saberia fazer. Sentaram-se à mesa, servida com 98 pratos diferentes, para ninguém ficar com fome. Cleide, a gulosa, experimentou uns 44. Neide apenas um. E ainda deixou um restinho. A mãe, preocupada, mediu-lhe a febre. Achou que a menina estava doente, porque ninguém da família fazia essa desfeita com a comida. A nona, no alto de seus 95 anos aproximou-se, firme e forte:

- Mas o que te aconteceu, Neidinha? Estás tão magra...A Cleide sim que tá bonita! Gorda como uma porca!

Naquele dia Neide decidiu voltar a morar no interior. Sentia que lá era sua casa. Cleide? Nunca mais foi vista pelas bandas de lá.

1 comentários:

Luísa L. disse...

Claudinha,

Gostaria que esta Época Natalícia fosse marcada pela Paz e Saúde, no seio da tua família e no Mundo. Desejo que em 2010 a humanidade possa tomar consciência, de que o nosso Planeta precisa de ajuda para superar a Fome, a Guerra, a Desigualdade, a Flora e a Fauna.

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

Beijos
Luísa