sábado, 28 de novembro de 2009

Se eu falasse francamente....



Gostaria de escrever sem censuras, falar sem censuras, viver sem censuras...Não estou falando daquela coisa de ser até agressiva com as pessoas, como muita gente é, para posar de "eu sou sincera". Falo de poder dizer não. Não porque não, porque não quero, porque não gosto, porque estou cansada ou não vou ficar bem. Se eu falasse francamente, você me perdoaria?

Em quantos lugares passamos durante a semana só para satisfazer aos outros, ou por temor do que irá acontecer? Principalmente agora nessa época, mais próximos que estamos do Natal, todo mundo quer te botar em uma roubada: é o amigo-secreto da turma do escritório, mas do escritório da prima da amiga e que você não pooooode perder! Ou o futebol da empresa em que trabalha o marido: todas as esposas vão (esposa é uma coisa meio...meio...antiguinha, né não? Mas eu sou, que posso fazer? Ia subir num porco se meu marido me chamasse de Patroa!), você não pode faltar! Ai, ai, ai, ai, ai! Claro que não posso faltar...

É tanta fria que a gente se coloca na vida! Não seria mais fácil dizer: meu amigo, nessa eu não vou. Você me desculpe, eu sei que é importante para você, mas não durmo há cinco dias e estou na beira de um surto psicótico intensíssimo? Seria, não seria? Mas não...Mesmo perigando "dar pití" (ui!), eu vou...Afinal, é o amigo que tá convidando, ele faz questão coisa e tal...

A vida é simples, a gente é que complica, diz outro amigo. É e não é. Muita gente não suporta qualquer atitude do outro que contrarie suas expectativas. Quando eu digo muita gente, quero dizer muuuuuita gente mesmo! Sabe a história do "olhar pro próprio umbigo"? Se eu não vou em algum lugar é porque estava sendo esnobe, pensando em boicotar aquela festa por algum motivo. O não ir se torna algo pessoalizado. Não fui porque odeio a dona da festa ou quem convidou, coisa e tal. Ah, faça-me o favor! Cada um conhece suas possibilidades! Vá catar coquinho no mato! Vê se não enche o meu saco! Vá para a p....! Vai para o psicanalista resolver tuas questões! Mas a merrd...é que a gente convive com essas pessoas, temos que ter jogo de cintura! Temos que saber "contornar" as situações.

Vou contar uma história para vocês: faz uns quinhentos anos que tive um namorado que me deu um fora, me trocou por outra. Ele jura que não, que conheceu a outra depois, mas ele está mentindo. Claro, além de se safar está fazendo o que todo mundo faz: está contornando a situação, porque acha que me magoaria se me contasse a verdade. Acontece que eu não estou nem aí para essa verdade! Nem na época estava. Então porque essa preocupação? Está olhando para o próprio umbigo, projetando em mim sentimentos dele, diriam os psicólogos de plantão.

Mas a história que queria contar não é bem essa. O ex frequenta um lugar que eu também frequento muito, então é inevitável que nos encontremos quase todos os dias. Só que o moço tem vergonha de me cumprimentar, o faz raramente. E eu, meus amigos, não estou nem aí! E não é papo de "largada" (rsrsrs!). É a mais pura verdade! Aquilo já foi, é passado do passado! Mas ele insiste em não me olhar. O moço andou contando para amigos comuns que não fala comigo porque eu tenho raiva dele, ou coisa assim. Euuuu? Nem na época tinha! Se ele soubesse que já bati longos papos com a mulher dele, aquela pela qual ele me trocou...Teria um chilique! Eu sei quem ela é e ela sabe quem eu sou. Óitmo, nos conhecemos então! Rsrs! Será que ele não enxerga outra coisa a não ser aquilo que lhe convêm? É o modo dele ver a vida, viver a vida. E em nossas vidas encontramos várias pessoas assim, como já disse. Pessoas que reportam tudo a si próprias, como crianças. Se minha mãe não me pega no colo é porque não me ama. Não importa se a mãe tem as mãos ocupadas com uma porção de coisas ou uma grande dor na coluna.Se não a pega, não a ama!

E assim caminha a humanidade. Fazendo o que não quer para garantir seu lugar ao sol, para poder conviver com a "menoridade emocional" (aargh! Construção horrorosa!), tentando descomplicar a vida, indo nos amigos-secretos e "futebois" (aaargh!), tudo pelo social!

4 comentários:

Leila Franca disse...

Olá Cláudia,

Minha ex-sogra todos os domingos, religiosamente, tinha que almoçar no restaurante chinês aqui do bairro. Todos os seus 6 filhos, esposas e netos também tinham que ir. Era mandatório. No início até que era legal almoçar no restaurante chique sem gastar um centavo (quem pagava a conta era o meu ex-sogro), mas conforme os anos foram passando, aquilo foi se tornando chato. Não podia fazer nada diferente, pois tinha que almoçar no restaurante chinês. Não podia nem mais almoçar com a minha própria mãe, porque eu tinha que ir no restaurante chinês. Até o dia que eu falei que não ia. Recebi logo um recadinho: que eu então escolhesse outro restaurante, que todos iriam. Eu disse que não queria almoçar em restaurante naquele domingo. Outro recado me dizia que então poderiamos todos almoçar na casa de uma cunhada. Eu disse que preferia almoçar em casa. Outro recado me dizendo que então todos iriam almoçar na minha casa. Eu disse que preferia almoçar sozinha. A partir daí, a confusão foi tão grande que meu casamento acabou. Um mês depois estava dando entrada nos papéis do divórcio. Não me arrependo.

LL disse...

Claudinha,

Esqueceste-te do jantares de Natal dos amigos do maridos e dos chás das mulheres dos colegas do marido e das festas de trocas de presentes dos filhos dos colegas do marido! ahahahah

Mas eu a estas já aprendi a dizer "não". Mas que raio vou eu fazer para eventos onde simplesmente não me apetece ir? Ok. Oiço a lamuria do meu marido quando chega, mas isso é preferível a ter que estar três ou quatro horas com pessoas que eu não conheço, não convivo e a grande maioria não me diz nada.

Especulem acerca de mim à vontade!

Beijos
Luísa

Raphael Dino disse...

As pessoas seriam mais felizes e por consequencia o mundo seria bem melhor, se fossemos mais sinceros.

Faço-lhe um convite para visitar meu blog e fazer suas críticas e sugestões:http://www.dinoblog.com.br/

Um abraço!

Raphael Dino.

S. Levy Lima disse...

Oi amiga.
por algum motivo nunca me casei.
hoje ganhei o direito de mandar à me... o que não quero fazer e estou me lixando para se ofende ou deixa de ofender. afinal eu não chateio ninguém, ninguém tem o direito de me vir cá chatear.

olhe, conhece o blog da Berenice Ribeiro? o "hora do Recreio"?
pois ela lá tem à guisa de lema :

"Não vim a este mundo a trabalho, estou aqui para me divertir, portanto não me cobrem posições ou atitudes."

E mais nada!

bjs